Em seu blog, o jornalista Milton Neves escreveu, referindo-se ao grande evento de MMA, o UFC Rio, realizado no último fim de semana, no Rio de Janeiro: “Os gladiadores de Roma voltaram? Houve muita polêmica; porém o jornalista não recuou de sua posição. Mas, o que está acontecendo na verdade?

Anderson Silva,  Mark Coleman, Rickson Gracie,  Wanderley Silva são na atualidade os homens dos ringues, além é claro de muitas mulheres tais como Ginele Marquez, Carina  Damm, Kaitlin  Young e outras. Estes por sua vez com força e habilidade fenomenal conseguem nocautear seus oponentes em poucos rounds. Milhões de pessoas em nossos dias acompanham confrontos pela mídia e fazem suas escolhas renomeando seus ídolos. Luta livre, Vale Tudo,  Jiu-jitsu, Tae Kwon  Do, Tai Chi Chuan,  Muay Thai  são algumas  das expressões de combate tidas como esportivas, mas o que impressiona é que entre a multidão de praticantes e simpatizantes encontramos  inúmeros evangélicos. Estes compõe o números de fãs que vão para a ponta do sofá ou se colocam subitamente de pé na sala da tv quando seus ‘ídolos’ desferem golpes triunfantes em seus oponentes o que muitas vezes faz com que sangue jorrem por seus órgãos causando hemorragia interna, mutilação, decepamento (MMA),  paralisia do sistema auditivo, edema cerebral, quebra de braços e pernas e aí por diante.  Na maioria das vezes os lutadores socam seus adversários até o desfalecimento total, o que chamam de submission.

Toda esta nova onda de diversão nos faz lembrar os Gladiadores da Roma Antiga (286 a.C) que duelavam até a morte diante de uma platéia ávida por sangue e morte.  Aquela pessoa que comandava a luta determinava se o gladiador vencido deveria ou não morrer. O dedo polegar erguido significava vida e, consequentemente abaixado significava a sua morte.   O principal motivo era o entretenimento da platéia. Naquele momento ficou vivo na memória popular o famoso Spartacus, escravo forte e vitorioso. Muitas vezes os gladiadores tinham que lutar contra animais ferozes, porém, eram menos concorridos. É interessante saber que o Imperador Constantino dizendo-se ter convertido ao cristianismo, o que não é provável, no ano 325 d.C  baniu tais lutas. Não obstante, até aquela data milhares cristãos pereceram nas arenas, anfiteatros e em coliseus diante de tais atrocidades.

O que dizer das touradas espanholas? Ali os touros são alvejados por flechas, muitas vezes flamejantes em suas costas, e agonizam até a morte. A platéia delira e, os toureiros agradecem com gesto cortês.

Os confrontos atuais (MMA e UFC) também nos fazem lembrados das famosas e ilícitas rinhas onde colocam aves (galos) para combaterem-se até a morte. Outras vezes  cães são colocados para estas atividades que pode envolver apostas; entretanto o principal propósito é diversão. Mas nada disso é divertido. Sangue não diverte ninguém que tenha a consciência sã.

Agora, resta-nos discutir como relacionar estas atividades tidas como divertidas com o amor cristão e com o testemunho que devemos a todos os  homens. Como relacionar tais fatos a nossa missão de conduzir a humanidade à paz de Cristo? Como pode servos do príncipe da paz e do Deus do amor ter prazer na mutilação, na agressividade, no sangue alheio, no ataque que tem como único propósito o nocaute do outro? Como podemos olhar para o texto “... não ameis o mundo e nem as coisas que no mundo há...” sem repudiar qualquer tipo de violência?

Preocupo-me com as características do homem cristão da modernidade. Estamos muito longe do término da tarefa que nos foi confiada, temos pouca gente trabalhando e aqueles que se dispuseram estão ocupados demais para se preocuparem com a obra de Deus e como se não bastasse estamos dia após dia perdendo o ardor evangelístico e o amor pela vida e, perdendo o tempo diante de uma televisão assistindo um espetáculo promovido no inferno. Fiquei absurdamente assustando quando assisti a um pequeno vídeo onde o vencedor, após arrancar muito sangue de seu oponente que praticamente agonizava ao chão, se levanta e declara que é cristão! Venci por Jesus, disse. Meu Deus! Qual batalha o Senhor nos mandou batalhar?  Era esta? Não! Aos homens Deus nos mandou amar, cuidar e servir. Faço  apelo para que todos os filhos de Deus repudiem qualquer tipo de violência. Homens como Martin Luther King, Madre Tereza e Mahatma Gandhi foram notáveis pela vitória que conquistaram instrumentalizados pela paz e sem derramar uma única gota de sangue. Fica aqui meu repúdio. Quer derramar sangue, doe. Procure ainda hoje um banco de sangue e faça doação. Assim estará abençoando alguém.

Pastor João Evangelista

Ministros do Evangelho em Andradas, Sul de Minas Gerais, Brasil. Casado com Margaret Ap. Guerra francisco, pai de Evelyn e Erick. 48 anos. Pastor ha 29 anos.

Comentários  

 
0 #1 Joás Castro Varjão 19/10/2011 06:27
Parabéns Pastor João pela reflexão verdadeira, sadia e contudente. Em alguns momentos penso que as arenas futebolísticas, com os vinte e dois escravos colocados por seus donos, onze contra onze se assemelham aos gladiadores.
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